UFMG em Betim: com modelo inovador, cidade terá o primeiro Smart Campus da universidade
O campus da UFMG em Betim será o primeiro da universidade no conceito Smart Campus, modelo inovador que incorpora soluções de educação digital, sustentabilidade e integração curricular, com proposta alinhada às transformações do mercado de trabalho e à formação de profissionais em áreas estratégicas. A notícia foi confirmada pela própria UFMG, após a aprovação, por unanimidade, do projeto de implantação do campus no município pelo Conselho Universitário da entidade, na quinta-feira (9/4). Com isso, mais uma etapa do processo foi concluída.
O projeto prevê a instalação da unidade na área do antigo Clube da Fiat, espaço que será requalificado para abrigar atividades acadêmicas, esportivas e de inovação. A iniciativa foi conduzida pelo prefeito Heron Guimarães, pelo deputado federal Reginaldo Lopes, pela ex-reitora da UFMG, Sandra Goulart, e pelo atual reitor, Alessandro Fernandes, em diálogo direto com o Ministério da Educação.
A proposta do novo campus está inserida na estratégia de expansão da UFMG para além de sua sede, com foco em ampliar o acesso ao ensino superior público de qualidade e dialogar diretamente com as demandas de territórios dinâmicos como Betim. Com cerca de 430 mil habitantes e forte vocação industrial, logística e tecnológica, o município reúne características que favorecem a implantação de um modelo acadêmico mais conectado à realidade do mercado e às necessidades da população.
De acordo com os estudos preliminares apresentados, a proposta contempla a implantação gradual de cursos em áreas estratégicas, como Engenharia de Produção, Engenharia de Sistemas, Sistemas de Informação, Ciência de Dados e Inteligência Artificial, além de cursos ligados às ciências do esporte, como Fisioterapia e Educação Física. A oferta deverá incluir formatos noturnos e semipresenciais, ampliando as possibilidades de acesso para estudantes que já estão inseridos no mercado de trabalho.
O modelo pedagógico prevê ingresso por tronco comum entre cursos correlatos, formação transversal com ênfase em inovação e empreendedorismo e práticas voltadas à integração curricular, com o objetivo de reduzir a evasão e fortalecer a trajetória acadêmica dos estudantes. A proposta também dialoga com a reorganização territorial da atuação da universidade, marcando um movimento de expansão “para fora” e de maior presença em regiões estratégicas.
Durante a análise da proposta, os conselheiros destacaram o potencial do campus para enfrentar desigualdades históricas no acesso ao ensino superior, especialmente entre jovens trabalhadores que já estão inseridos no mercado de trabalho, muitas vezes em condições de informalidade e precarização. Também foi ressaltada a importância do projeto para o desenvolvimento regional e para a ampliação da mobilidade social por meio da educação.
Além da validação do avanço do projeto, o Conselho Universitário indicou a incorporação de aprimoramentos, especialmente no campo pedagógico, com destaque para o fortalecimento de práticas colaborativas e a inclusão de dimensões humanistas como ética, cidadania, direitos humanos e democracia na formação acadêmica.
“Um campus concebido desde a sua origem com essa perspectiva tem potencial para qualificar a formação oferecida e ampliar o impacto social da universidade. Para Betim, representa uma oportunidade de consolidação como polo de conhecimento e inovação, com efeitos diretos sobre a inclusão social, a geração de oportunidades e o desenvolvimento regional. Para a UFMG, é também a possibilidade ampliar seu alcance de forma qualificada e de inovar em sua capacidade de formar pessoas e contribuir para o desenvolvimento da sociedade”, ressaltou o reitor da universidade, Alessandro Fernandes.
Como próximos passos, foi aprovada a criação de uma nova comissão responsável por aprofundar os estudos técnicos, acadêmicos e estruturais do campus, incluindo a definição dos projetos pedagógicos dos cursos, a organização da nova unidade acadêmica e a estimativa de recursos humanos e materiais.
